(*) Bruno Cesar
A repercussão do trágico caso da garota Vitória, desaparecida na noite de 26 de fevereiro de 2025 e encontrada na quarta-feira de cinzas, dia 5 de março de 2025, levanta questões cruciais sobre o uso da tecnologia na investigação de crimes.
Um dos aspectos que mais chama atenção é a defasagem tecnológica dos órgãos governamentais em comparação com a iniciativa privada. Enquanto laboratórios particulares oferecem análises de DNA em apenas 24 horas, investigações forenses ainda enfrentam longas filas e processos burocráticos que podem levar semanas ou meses. Essa diferença de eficiência impacta diretamente a resolução de casos e a segurança da população.
Porém, o foco deste artigo é outro: uma das linhas de investigação desse caso está relacionada ao stalking, e é fundamental entendermos o que isso significa e como nos proteger. Importante frisar que não estamos afirmando que o caso de Vitória está diretamente ligado a um stalker — essa conclusão cabe às autoridades. Nosso objetivo aqui é discutir o fenômeno do stalking, que tem se tornado cada vez mais comum, especialmente com o avanço da tecnologia digital.
O que é stalking?
O termo “stalker” vem do inglês e significa “perseguidor”. No contexto digital e cotidiano, refere-se a uma pessoa que monitora, persegue ou assedia outra de forma obsessiva, seja presencialmente ou online. Essa prática pode envolver invasão de privacidade, mensagens insistentes, vigilância constante e até ameaças.
No Brasil, o stalking foi criminalizado pelo artigo 147-A do Código Penal, que define o crime como “perseguir alguém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando sua integridade física ou psicológica, restringindo sua capacidade de locomoção ou invadindo sua privacidade”. A pena pode chegar a três anos de reclusão.
Como se proteger de stalkers?
A prevenção é a melhor estratégia para evitar tornar-se vítima de um stalker. Algumas medidas simples podem aumentar sua segurança:
1. Proteja seus dados pessoais
Evite divulgar informações sensíveis em redes sociais, como endereço, rotina e locais frequentes.
Não compartilhe fotos em tempo real do lugar onde está.
2. Ajuste as configurações de privacidade
Limite quem pode ver suas postagens e informações.
Desative a geolocalização de postagens e aplicativos.
3. Cuidado com quem aceita nas redes sociais
Não adicione desconhecidos e desconfie de perfis falsos.
Se receber mensagens insistentes, bloqueie imediatamente.
4. Use senhas fortes e autenticação em dois fatores
Nunca repita senhas em diferentes serviços.
Ative a autenticação em dois fatores sempre que possível.
5. Monitore seu nome na internet
Faça buscas periódicas para verificar se seus dados estão expostos.
Utilize ferramentas como o Google Alerts para monitorar menções ao seu nome.
O que fazer se for vítima de stalking?
Caso perceba que está sendo perseguido por um stalker, tome providências imediatamente:
1. Não responda nem confronte
Qualquer interação pode incentivar o stalker.
Se for um ex-parceiro ou conhecido, deixe claro uma única vez que não deseja contato e depois ignore.
2. Bloqueie e denuncie
Nas redes sociais, bloqueie e denuncie o perfil do stalker.
Em aplicativos de mensagens, use a função de bloqueio e silencie chamadas indesejadas.
3. Colete provas
Tire prints de mensagens, e-mails e postagens.
Registre chamadas recebidas e encontros indesejados.
4. Registre um boletim de ocorrência (BO)
Procure uma delegacia, preferencialmente de crimes cibernéticos ou de defesa da mulher, se aplicável.
Apresente todas as provas coletadas.
5. Considere uma medida protetiva
Se houver ameaças ou risco à integridade física, solicite uma medida protetiva na Justiça.
6. Informe amigos, familiares e trabalho
Avise pessoas próximas para que possam ajudar a garantir sua segurança.
7. Busque apoio psicológico e jurídico
O stalking pode causar danos emocionais significativos. Um terapeuta pode auxiliar na recuperação.
Um advogado pode orientar sobre medidas legais adicionais, como ações civis por danos morais.
Se o stalking envolver invasão de dispositivos ou vazamento de informações pessoais, pode configurar crimes mais graves, como violação de privacidade e extorsão, exigindo investigações mais detalhadas.
A tecnologia tem um papel essencial tanto na prevenção quanto na resolução desses crimes. No entanto, é necessário que as instituições públicas acelerem a adoção de soluções inovadoras para garantir mais segurança e eficiência na investigação de casos de stalking e outros crimes digitais.
(*) Bruno César Teixeira de Oliveira, com uma carreira sólida na gestão de riscos, compliance e prevenção a fraudes em instituições financeiras. Colunista do site carioca O Boletim.
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